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26/05/2026

Justiça de castas. Pobres viram depósitos em presídios e corruptos ficam em mansões com familiares

Povo nos presídios e corruptos nas mansões

Por *Elvécio Andrade

 

O Brasil construiu, diante dos olhos da população, um dos sistemas mais perversos e hipócritas do planeta: uma justiça de castas, que pesa toneladas sobre os ombros dos pobres, mas se transforma em pluma quando alcança os ricos, os poderosos e os donos do poder político.

 

De um lado, existem mais de 900 mil brasileiros jogados em presídios superlotados, verdadeiros depósitos humanos onde falta tudo: espaço, higiene, assistência médica, dignidade e esperança. Entre essas pessoas esquecidas pelo Estado, estão cerca de 12 mil idosos, homens e mulheres acima de 60 anos, muitos abandonados em celas insalubres, convivendo com doenças, calor infernal, violência e abandono absoluto.

 

Para essa parcela da população, a lei aparece com toda sua crueldade. Não há mansão, não há ar-condicionado, não há jantar em família, não há conforto. Há só grades, sofrimento e esquecimento. Mas existe um segundo sistema carcerário. Um sistema VIP. Um sistema feito sob medida para ricos, políticos influentes, corruptos de colarinho branco e golpistas com sobrenome famoso. Nesse Brasil paralelo, a prisão vira condomínio de luxo. A pena se transforma em descanso remunerado.

 

A tornozeleira eletrônica vira quase um acessório simbólico, enquanto o condenado desfruta de mansões, empregados, boa comida, visitas constantes e o aconchego familiar. São mais de 235 mil pessoas em prisão domiciliar no país. Entre elas, nomes conhecidos da política brasileira, como o ladrão de joias, genocida e golpista Jair Messias Bolsonaro e o corrupto Fernando Collor de Mello, símbolos de uma elite política que parece viver acima da lei. Enquanto o pobre é esmagado pelo sistema, o poderoso negocia privilégios.

 


E o escárnio não termina aí. No Brasil, existe ainda uma casta intocável: a dos parlamentares protegidos pelo próprio sistema político. Quando um deputado ou senador é alvo de ordem de prisão, quem muitas vezes decide se ele ficará preso ou não é justamente a corporação política da qual faz parte. É o absurdo institucionalizado. É como entregar a chave do cofre ao ladrão e esperar honestidade. A Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a lei, mas a realidade brasileira rasga esse princípio diariamente diante da população.

 

O povo assiste a tudo pagando impostos, enfrentando filas em hospitais, sobrevivendo com salários miseráveis e vendo o país afundar em desigualdade. Enquanto isso, uma elite política e econômica desfruta de privilégios inimagináveis para a maioria dos brasileiros.

 

Até quando? Até quando a prisão continuará sendo cruel apenas para quem nasce pobre? Até quando a lei servirá como espada contra o miserável e como escudo para os poderosos? Até quando o país aceitará que corruptos e políticos influentes transformem punição em conforto?

 

O mais revoltante não é apenas a existência dessa desigualdade brutal. O mais revoltante é a naturalização dela. O Brasil se acostumou a ver pobres apodrecendo nas cadeias enquanto engravatados condenados vivem cercados de luxo. Transformaram a injustiça em rotina. Transformaram o privilégio em regra. E uma democracia que aceita isso em silêncio corre o risco de deixar de ser democracia para se tornar apenas um grande teatro de impunidade seletiva.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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