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19/09/2026

Vereador, que parece ter saudade das cavernas, critica modernização de avenida central

Carlim da Dengue, o inimigo do progresso

Por *Elvécio Andrade

 

Há coisas na política que desafiam até a memória. Um vereador, cuja trajetória política, durante anos sempre contou com o apoio do atual prefeito, desde os tempos em que ainda era um reles peão de rodeio, passando por momentos de dificuldade profissional, quando foi acolhido pela administração municipal, até sucessivas candidaturas e a própria presidência da Câmara em 2013, agora resolveu transformar em alvo justamente aquele que tantas vezes lhe estendeu a mão.

 

A política, evidentemente, é dinâmica. Apoios mudam, alianças terminam e ninguém é obrigado a permanecer eternamente ao lado de ninguém. Mas uma coisa é mudar de posição; outra, bem diferente, é agir como se tudo o que foi feito pela cidade tivesse de ser combatido apenas porque deixou de servir a determinado projeto político. E é aí que começa o espetáculo.

 

Barra de São Francisco vem passando por uma série de intervenções urbanas e sociais. O transporte coletivo gratuito, por exemplo, está em funcionamento e atende moradores de diferentes bairros e regiões, ligando áreas residenciais ao Centro e a serviços públicos. Na infraestrutura, a Prefeitura realiza obras e serviços em bairros e distritos, enquanto o Centro recebe uma intervenção destinada à acessibilidade, segurança e melhoria da circulação de pedestres.

 

E justamente quando a cidade começa a olhar para frente, aparece o vereador capiau com os olhos voltados para trás. O alvo da vez é o Calçadão da Avenida Jones dos Santos Neves. O projeto prevê ampliação do espaço destinado aos pedestres, piso antiderrapante, piso tátil, rampas de acessibilidade e revitalização do canteiro central, cuja intervenção pretende melhorar a mobilidade e contribuir para a revitalização da principal área comercial da cidade.

 

Ou seja: estamos falando de urbanização, acessibilidade, segurança, mobilidade e valorização do Centro. Mas, para o vereador, tudo isso virou motivo para fazer campanha contra a obra nas redes sociais. É preciso perguntar: qual é exatamente o problema em tornar o Centro mais acessível, mais organizado e mais agradável para quem compra, trabalha, circula ou simplesmente precisa passar por ali?

 

Se existem problemas técnicos, que sejam apontados. Se existem falhas no projeto, que sejam demonstradas. Se há irregularidades, que sejam denunciadas aos órgãos competentes. Se o custo da obra preocupa, que sejam apresentados números, documentos e alternativas. Isso é exercer fiscalização. O que não parece razoável é transformar qualquer obra de modernização em motivo para uma cruzada política contra o desenvolvimento do Município.

 


Até porque oposição responsável não é aquela que diz “não” para tudo. É aquela que consegue dizer onde está o problema, apresentar uma solução e defender aquilo que efetivamente interessa à população. Barra de São Francisco precisa de vereadores fiscalizadores, críticos e independentes. Precisa, sim, de homens públicos que questionem o prefeito quando houver motivo. Mas também precisa daqueles que tenham a grandeza de reconhecer quando uma iniciativa beneficia a coletividade.

 

Porque vereador não foi eleito para ser torcedor organizado de obra nenhuma, muito menos para transformar a cidade em campo de batalha de ressentimentos políticos. E há uma pergunta que deveria incomodar qualquer agente público: quando a cidade ganha, quem perde? Se o comércio pode ser valorizado, se o pedestre ganha espaço, se pessoas com deficiência passam a ter melhores condições de circulação, se o Centro fica mais organizado e se a mobilidade urbana melhora, por que alguém deveria ser contra?

 

A menos, evidentemente, que o problema não esteja na obra. Talvez esteja na política. E aí fica ainda mais curioso. Porque quem passou tantos anos recebendo apoio político, espaço e oportunidades de um determinado grupo não deveria ter memória seletiva a ponto de descobrir, somente depois de romper politicamente, que tudo aquilo que antes parecia bom passou a ser ruim. A cidade não pode ser administrada pelo retrovisor.

 

Barra de São Francisco não pode ficar refém de vereador que parece acreditar que desenvolvimento urbano é uma ameaça e que modernização é pecado. O mundo mudou, as cidades mudaram, as necessidades da população mudaram. Só parece não ter mudado a cabeça de alguns políticos. Enquanto a cidade abre espaço para o futuro, há quem queira puxá-la de volta para o passado.

 

E talvez esteja na hora de avisar ao ilustre vereador que Barra de São Francisco não é propriedade de prefeito, vereador ou grupo político algum. A cidade pertence ao povo. E o povo tem todo o direito de querer uma cidade mais bonita, acessível, organizada, moderna e próspera. Quem quiser fiscalizar, fiscalize, quem quiser criticar, critique, quem tiver uma proposta melhor, apresente. Mas tentar transformar progresso em problema e modernização em inimiga da população é outra história. E essa, sinceramente, parece mais adequada ao século passado. Ou, quem sabe, às cavernas.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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