Por *Elvécio Andrade
O Brasil assiste, mais uma vez, a um espetáculo grotesco e vergonhoso de
impunidade travestida de “justiça”. A decisão da Polícia Civil do Distrito
Federal de encerrar o inquérito sem indiciar o senador Magno Malta, do PL do
Espírito Santo, revolta qualquer cidadão que ainda acredita minimamente na
balela de igualdade perante a lei.
A denúncia feita pela técnica em radiologia é gravíssima. Segundo o relato, durante um atendimento no
Hospital DF Star, em Brasília, o senador bolsonarista perdeu o controle após
uma interrupção automática no procedimento de contraste de uma angiotomografia
e, num ato de covardia, desferiu um tapa no rosto da profissional, além de
humilhá-la com ofensas como “imunda” e “incompetente”.
Como se não bastasse o relato
detalhado da vítima, o IML (Instituto Médico Legal) encontrou uma escoriação no
lado direito do nariz da profissional, concluindo que a lesão era compatível
com a agressão narrada. Sem contar que os óculos da vítima foram danificados
diante da violência da agressão. E mesmo assim… nada aconteceu.
O recado que fica para o povo
brasileiro é cruel e cristalino: dependendo do cargo político, do sobrenome ou
da influência, a lei simplesmente deixa de existir e os resultados de perícias
não valem absolutamente nada. O cidadão comum é esmagado pelo sistema. Já os
poderosos parecem desfilar acima dele, blindados por privilégios, conexões e
conveniências.
É impossível não enxergar o
abismo moral em que certas instituições mergulharam. Afinal, se uma perícia
oficial confirma compatibilidade entre a lesão e o relato da vítima, o que mais
seria necessário? Filmagem em câmera lenta? Que tudo seja desenhado?
Transmissão ao vivo? Ou será que a palavra de uma trabalhadora vale menos
quando confronta um senador despirocado, agressivo e influente?
A indignação cresce ainda mais
porque esse absurdo acontece poucos dias depois de outro episódio revoltante: o
pedido de arquivamento do caso do cachorro Orelha, brutalmente assassinado por
monstros adolescentes em Santa Catarina. Mesmo diante do relato do veterinário,
que afirmou que o animal apresentava múltiplas fraturas, especialmente na
cabeça, e precisou ser submetido à eutanásia, alegou-se “falta de provas”.
Falta de provas? Ou sobra de
conveniência? O sentimento que toma conta da população é o de abandono
completo. Parece que a justiça brasileira virou refúgio para bandidos
poderosos, uma engrenagem seletiva: dura e implacável com pobres e anônimos,
mas vergonhosamente mansa e complacente com quem possui poder político,
dinheiro ou influência.
Enquanto isso, trabalhadores
seguem desrespeitados, vítimas seguem desacreditadas e criminosos de colarinho
branco, políticos corruptos continuam protegidos atrás de gabinetes luxuosos,
discursos moralistas e imunidades convenientes. E o pior: tudo isso acontece
sob o olhar de autoridades que deveriam defender a sociedade, mas que muitas
vezes parecem mais preocupadas em proteger seus próprios círculos de poder.
Até quando o Brasil vai
assistir a esse teatro grotesco da impunidade? Até quando vítimas serão
humilhadas duas vezes: primeiro pela agressão e depois pelo sistema? E até
quando certas autoridades continuarão tratando a lei como um instrumento que só
funciona contra os fracos?
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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