Por *Elvécio Andrade
Mais uma vez ficou escancarado
como funciona a velha política de conveniência praticada por certos deputados
federais do Espírito Santo. Após a revolta popular explodir nas redes sociais e
da população trabalhadora mostrar que não aceita ser tratada como escrava
moderna, os deputados federais Da Vitória e Amaro Neto correram para retirar suas assinaturas das emendas que poderiam empurrar por até 10 anos a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, além de abrir caminho para jornadas
absurdas de até 52 horas semanais.
Que gesto nobre, não é mesmo?
Pena que ninguém acredita. A retirada das assinaturas não nasceu de consciência
social, muito menos de preocupação com o trabalhador que acorda às quatro da
manhã, pega ônibus lotado, ganha salário miserável e volta para casa destruído
física e mentalmente. Nada disso.
O que moveu os dois
parlamentares foi o velho e conhecido pânico eleitoral. O medo de serem
enxotados das urnas em outubro falou mais alto que a submissão aos interesses
de empresários que enxergam trabalhador como peça descartável. Porque se não
houvesse repercussão… as assinaturas continuariam lá, firmes e fortes, ajudando
a esmagar ainda mais quem já vive sufocado.
Enquanto isso, os deputados Evair
de Melo e Messias Donato resolveram dobrar a aposta contra o trabalhador e
mantiveram suas assinaturas na proposta que ameaça direitos históricos. Uma postura
que retrata perfeitamente a inutilidade política de parlamentares que passaram
pela Câmara Federal sem deixar qualquer legado relevante para o Espírito Santo.
São figuras apagadas, sem protagonismo, sem conquistas concretas e sem qualquer
compromisso visível com quem os elegeu.
Mas o caso de Amaro Neto
merece um capítulo à parte nessa tragicomédia política capixaba. Transformado
em deputado na esteira do sensacionalismo policialesco televisivo, o popular Gengiva de Égua virou um fenômeno
eleitoral sustentado pela revolta popular e pelo marketing barato do grito
fácil diante das câmeras. O problema é que o personagem de televisão nunca
virou parlamentar de verdade. Depois de eleito e reeleito, tornou-se aquilo que
Brasília mais produz: um deputado invisível.
Não protagoniza debates
importantes. Não apresenta grandes projetos transformadores. Não defende pautas
relevantes para o Espírito Santo. Não articula investimentos significativos.
Não lidera nada. É um parlamentar que parece existir apenas para ocupar
cadeira, tirar foto e sobreviver politicamente até a próxima eleição. Um
verdadeiro deputado zumbi: anda,
respira, recebe salário milionário pago pelo povo, mas politicamente parece
morto há muito tempo.
E o mais revoltante nisso tudo
é perceber que muitos desses parlamentares ainda apostam na memória curta do
eleitor brasileiro. Acham que basta recuar discretamente, apagar a assinatura e
posar de “amigo do trabalhador” para que tudo seja esquecido. Mas o povo começa
a entender o jogo.
Quando políticos atacam
direitos trabalhistas e depois recuam apenas porque a eleição se aproxima, não
demonstram humildade. Demonstram medo. Medo da rejeição. Medo da cobrança. Medo
de perder os privilégios de Brasília. E talvez seja exatamente esse medo que
finalmente faça alguns deles descobrirem que mandato não é propriedade privada.
Mandato é empréstimo do povo.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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