Recuo dos deputados capixabas: O medo das urnas fala mais alto que a covardia em Brasília - Colatina News

Recentes


Acessos

google.com, pub-2151647549971277, DIRECT, f08c47fec0942fa0

23/05/2026

Recuo dos deputados capixabas: O medo das urnas fala mais alto que a covardia em Brasília

Deputado Zumbi e Da Vitória recuaram

Por *Elvécio Andrade

 

Mais uma vez ficou escancarado como funciona a velha política de conveniência praticada por certos deputados federais do Espírito Santo. Após a revolta popular explodir nas redes sociais e da população trabalhadora mostrar que não aceita ser tratada como escrava moderna, os deputados federais Da Vitória e Amaro Neto correram para retirar suas assinaturas das emendas que poderiam empurrar por até 10 anos a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, além de abrir caminho para jornadas absurdas de até 52 horas semanais.

 

Que gesto nobre, não é mesmo? Pena que ninguém acredita. A retirada das assinaturas não nasceu de consciência social, muito menos de preocupação com o trabalhador que acorda às quatro da manhã, pega ônibus lotado, ganha salário miserável e volta para casa destruído física e mentalmente. Nada disso.

 

O que moveu os dois parlamentares foi o velho e conhecido pânico eleitoral. O medo de serem enxotados das urnas em outubro falou mais alto que a submissão aos interesses de empresários que enxergam trabalhador como peça descartável. Porque se não houvesse repercussão… as assinaturas continuariam lá, firmes e fortes, ajudando a esmagar ainda mais quem já vive sufocado.

 

Enquanto isso, os deputados Evair de Melo e Messias Donato resolveram dobrar a aposta contra o trabalhador e mantiveram suas assinaturas na proposta que ameaça direitos históricos. Uma postura que retrata perfeitamente a inutilidade política de parlamentares que passaram pela Câmara Federal sem deixar qualquer legado relevante para o Espírito Santo. São figuras apagadas, sem protagonismo, sem conquistas concretas e sem qualquer compromisso visível com quem os elegeu.

 


Mas o caso de Amaro Neto merece um capítulo à parte nessa tragicomédia política capixaba. Transformado em deputado na esteira do sensacionalismo policialesco televisivo, o popular Gengiva de Égua virou um fenômeno eleitoral sustentado pela revolta popular e pelo marketing barato do grito fácil diante das câmeras. O problema é que o personagem de televisão nunca virou parlamentar de verdade. Depois de eleito e reeleito, tornou-se aquilo que Brasília mais produz: um deputado invisível.

 

Não protagoniza debates importantes. Não apresenta grandes projetos transformadores. Não defende pautas relevantes para o Espírito Santo. Não articula investimentos significativos. Não lidera nada. É um parlamentar que parece existir apenas para ocupar cadeira, tirar foto e sobreviver politicamente até a próxima eleição. Um verdadeiro deputado zumbi: anda, respira, recebe salário milionário pago pelo povo, mas politicamente parece morto há muito tempo.

 

E o mais revoltante nisso tudo é perceber que muitos desses parlamentares ainda apostam na memória curta do eleitor brasileiro. Acham que basta recuar discretamente, apagar a assinatura e posar de “amigo do trabalhador” para que tudo seja esquecido. Mas o povo começa a entender o jogo.

 

Quando políticos atacam direitos trabalhistas e depois recuam apenas porque a eleição se aproxima, não demonstram humildade. Demonstram medo. Medo da rejeição. Medo da cobrança. Medo de perder os privilégios de Brasília. E talvez seja exatamente esse medo que finalmente faça alguns deles descobrirem que mandato não é propriedade privada. Mandato é empréstimo do povo.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook: @sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal: @colatinanews4085!

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário