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29/06/2026

Zema é acusado de favorecer a Eletrozema com mais de R$ 2,28 milhões em renúncia fiscal

Romeu Zema, a vergonha de Minas

Por *Elvécio Andrade

 

A divulgação da lista de empresas beneficiadas por incentivos fiscais em Minas Gerais trouxe à tona um debate inevitável sobre transparência, ética e conflito de interesses na administração pública. Entre as mais de quatro mil empresas contempladas aparece justamente a Eletrozema S.A., pertencente ao grupo empresarial ligado ao ex-governador e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo).

 

Segundo os dados divulgados pela própria Secretaria de Estado de Fazenda, a empresa tinha previsão de receber mais de R$ 2,28 milhões em renúncia de ICMS apenas em 2025, benefício concedido em junho de 2024, durante a gestão do próprio Zema. Embora não haja, por si só, comprovação de ilegalidade na concessão do incentivo, o caso levanta questionamentos inevitáveis sobre a necessidade de absoluto rigor na prevenção de conflitos entre interesses públicos e privados.

 

O cenário ganha contornos ainda mais preocupantes quando se observa que Minas Gerais abriu mão de arrecadar R$ 19,4 bilhões em ICMS em 2025, o maior volume da série histórica e um crescimento de 462% em comparação com 2016. Trata-se de uma cifra bilionária que deixa de ingressar nos cofres públicos enquanto áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura, seguem enfrentando carências.

 


Outro ponto que chama atenção é que a sociedade precisou esperar cerca de dez anos para conhecer os destinatários desses benefícios fiscais. A transparência, que deveria ser regra em qualquer governo comprometido com o interesse público, acabou chegando apenas depois de intensa pressão para a divulgação dos dados..

 

O episódio reforça a importância de que toda política de incentivos fiscais seja acompanhada de ampla publicidade, fiscalização rigorosa e mecanismos eficazes para afastar qualquer dúvida sobre favorecimento. Quando recursos públicos deixam de ser arrecadados em valores bilionários, a população tem o direito de saber quem foi beneficiado, quais critérios foram utilizados e quais resultados concretos esses incentivos trouxeram para a geração de empregos, investimentos e desenvolvimento econômico.

 

A confiança nas instituições depende justamente disso: transparência, prestação de contas e igualdade de tratamento para todos, sem privilégios ou sombras de favorecimento.  Até o fechamento da reportagem do G1, que revelou as informações, nem a Eletrozema nem a assessoria de Romeu Zema haviam se manifestado sobre o assunto

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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