Por *Elvécio Andrade
Mantena, no Leste de Minas
Gerais, completou 83 anos no último dia 13 de junho. Oitenta e três anos de
história, de trabalho e de luta de um povo que, infelizmente, continua
enfrentando problemas que deveriam ter sido resolvidos há décadas. Agora, a
cidade ganha mais um capítulo vergonhoso em sua interminável coleção de
dificuldades: a população está sem água nas torneiras.
Desde a tarde de domingo, dia
26, moradores de diversos bairros enfrentam o desabastecimento e, até o
momento, não sabem quando o problema será definitivamente solucionado. A água
desaparece, mas as explicações também. E, como já virou tradição em situações
como essa, a população fica abandonada à própria sorte, tentando descobrir quem
é o responsável por resolver aquilo que, evidentemente, deveria estar
funcionando.
O abastecimento de água é
responsabilidade do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Mas, em Mantena,
o serviço parece ter entrado naquela categoria especial de problemas que
ninguém consegue resolver, ninguém sabe explicar e, aparentemente, ninguém se
sente responsável. É o famoso "deixa como está para ver como fica".
Enquanto isso, as donas de
casa precisam escolher entre lavar a louça ou guardar a pouca água disponível
para preparar a comida. Lavar roupas vira uma missão quase impossível. Higiene,
limpeza e tarefas básicas do cotidiano passam a depender da sorte e da
capacidade de cada família de conseguir água por outros meios.
O comércio também sofre.
Estabelecimentos precisam interromper atividades, clientes deixam de consumir e
prejuízos se acumulam. Mas, aparentemente, tudo isso é apenas um detalhe diante
da tranquilidade daqueles que deveriam estar trabalhando para solucionar o
problema. A população quer saber: onde está o diretor do SAAE? Onde está o
prefeito? Onde estão os vereadores?
Alguém poderia, por gentileza,
explicar aos mantenenses o que está acontecendo? Ou será que pedir água e
explicações é exigir demais? O cidadão paga impostos, paga contas e cumpre suas
obrigações. Em contrapartida, espera o mínimo: serviços públicos funcionando.
Quando isso não acontece, o mínimo que se espera dos responsáveis é
transparência, respeito e providências.
Mas em Mantena, pelo visto,
até isso parece estar em falta. O mais grave é que a falta de água não é um
acontecimento isolado. O problema se repete e se arrasta, enquanto soluções
definitivas parecem sempre ficar para algum futuro distante. É como se a
população tivesse sido condenada a conviver eternamente com o improviso, a
precariedade e a incompetência administrativa.
Mantena merece mais. Muito
mais. O Município não pode continuar sendo administrado como se problemas
crônicos fossem acontecimentos naturais e inevitáveis. Não são. Problemas de
abastecimento exigem planejamento, investimentos, manutenção e gestão eficiente.
E, quando um serviço essencial falha repetidamente, alguém precisa responder
por isso.
A cidade já tem 83 anos.
Talvez esteja na hora de deixar para trás a velha política do improviso, do
silêncio e da promessa que nunca se transforma em solução. É preciso reconhecer
que Mantena enfrenta, há muito tempo, dificuldades administrativas que
atravessam governos e se repetem de gestão em gestão. E aqui cabe uma reflexão
incômoda: até quando a população aceitará eleger administradores incapazes de
apresentar soluções para problemas básicos?
Talvez seja hora de o eleitor
mantenense olhar com mais atenção para a urna e entender que o futuro da cidade
não se decide apenas durante os discursos de campanha. Decide-se também no
momento do voto. Porque depois não adianta reclamar que falta água, falta
saúde, falta infraestrutura, falta desenvolvimento e sobram problemas. Mantena
não pode continuar seca de água e, principalmente, seca de soluções.
A população quer água nas
torneiras. Quer explicações. Quer respeito. Quer responsabilidade. E quer
saber, de uma vez por todas, quem vai assumir a responsabilidade pelo caos que
se repete diante dos olhos de todos. Enquanto isso, a água não chega. Mas a
conta chega. O imposto chega. E a promessa, essa, chega pontualmente a cada
eleição. O que parece nunca chegar é a solução. O mantenense precisa aprender a
votar. Aprender a escolher seus representantes. Caso contrário, jamais chegará
a lugar nenhum.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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