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28/07/2026

Mantena continua sofrendo por causa das péssimas escolhas de um povo que não sabe votar

As consequências de escolhas erradas

Por *Elvécio Andrade

 

Mantena, no Leste de Minas Gerais, completou 83 anos no último dia 13 de junho. Oitenta e três anos de história, de trabalho e de luta de um povo que, infelizmente, continua enfrentando problemas que deveriam ter sido resolvidos há décadas. Agora, a cidade ganha mais um capítulo vergonhoso em sua interminável coleção de dificuldades: a população está sem água nas torneiras.

 

Desde a tarde de domingo, dia 26, moradores de diversos bairros enfrentam o desabastecimento e, até o momento, não sabem quando o problema será definitivamente solucionado. A água desaparece, mas as explicações também. E, como já virou tradição em situações como essa, a população fica abandonada à própria sorte, tentando descobrir quem é o responsável por resolver aquilo que, evidentemente, deveria estar funcionando.

 

O abastecimento de água é responsabilidade do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Mas, em Mantena, o serviço parece ter entrado naquela categoria especial de problemas que ninguém consegue resolver, ninguém sabe explicar e, aparentemente, ninguém se sente responsável. É o famoso "deixa como está para ver como fica".

 

Enquanto isso, as donas de casa precisam escolher entre lavar a louça ou guardar a pouca água disponível para preparar a comida. Lavar roupas vira uma missão quase impossível. Higiene, limpeza e tarefas básicas do cotidiano passam a depender da sorte e da capacidade de cada família de conseguir água por outros meios.

 

O comércio também sofre. Estabelecimentos precisam interromper atividades, clientes deixam de consumir e prejuízos se acumulam. Mas, aparentemente, tudo isso é apenas um detalhe diante da tranquilidade daqueles que deveriam estar trabalhando para solucionar o problema. A população quer saber: onde está o diretor do SAAE? Onde está o prefeito? Onde estão os vereadores?

 

Alguém poderia, por gentileza, explicar aos mantenenses o que está acontecendo? Ou será que pedir água e explicações é exigir demais? O cidadão paga impostos, paga contas e cumpre suas obrigações. Em contrapartida, espera o mínimo: serviços públicos funcionando. Quando isso não acontece, o mínimo que se espera dos responsáveis é transparência, respeito e providências.

 


Mas em Mantena, pelo visto, até isso parece estar em falta. O mais grave é que a falta de água não é um acontecimento isolado. O problema se repete e se arrasta, enquanto soluções definitivas parecem sempre ficar para algum futuro distante. É como se a população tivesse sido condenada a conviver eternamente com o improviso, a precariedade e a incompetência administrativa.

 

Mantena merece mais. Muito mais. O Município não pode continuar sendo administrado como se problemas crônicos fossem acontecimentos naturais e inevitáveis. Não são. Problemas de abastecimento exigem planejamento, investimentos, manutenção e gestão eficiente. E, quando um serviço essencial falha repetidamente, alguém precisa responder por isso.

 

A cidade já tem 83 anos. Talvez esteja na hora de deixar para trás a velha política do improviso, do silêncio e da promessa que nunca se transforma em solução. É preciso reconhecer que Mantena enfrenta, há muito tempo, dificuldades administrativas que atravessam governos e se repetem de gestão em gestão. E aqui cabe uma reflexão incômoda: até quando a população aceitará eleger administradores incapazes de apresentar soluções para problemas básicos?

 

Talvez seja hora de o eleitor mantenense olhar com mais atenção para a urna e entender que o futuro da cidade não se decide apenas durante os discursos de campanha. Decide-se também no momento do voto. Porque depois não adianta reclamar que falta água, falta saúde, falta infraestrutura, falta desenvolvimento e sobram problemas. Mantena não pode continuar seca de água e, principalmente, seca de soluções.

 

A população quer água nas torneiras. Quer explicações. Quer respeito. Quer responsabilidade. E quer saber, de uma vez por todas, quem vai assumir a responsabilidade pelo caos que se repete diante dos olhos de todos. Enquanto isso, a água não chega. Mas a conta chega. O imposto chega. E a promessa, essa, chega pontualmente a cada eleição. O que parece nunca chegar é a solução. O mantenense precisa aprender a votar. Aprender a escolher seus representantes. Caso contrário, jamais chegará a lugar nenhum.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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