Por *Elvécio Andrade
Parece que o deputado estadual Sérgio
Meneguelli (PSD), ex-prefeito de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo,
descobriu novamente a fórmula mágica para voltar aos holofotes: ressuscitar a
velha e manjada história da suposta "perseguição política" contra uma
candidatura sua ao Senado Federal. A narrativa é conhecida, o discurso é
praticamente o mesmo e, pelo jeito, só faltou combinar com o eleitorado.
Considerado por muitos críticos como uma das
figuras mais apagadas da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, cujo único
destaque que teve foi negativo e envolveu sua birra por causa do uso de terno e
gravata, Meneguelli voltou a "dar show" nas redes sociais. Em vídeo
publicado no domingo, 19, em seu perfil no Instagram, retomou o conhecido
delírio de que haveria uma articulação de bastidores para impedir que ele
dispute uma das duas vagas ao Senado nas eleições de outubro.
Sem citar nomes, partidos ou adversários
diretamente, Meneguelli afirmou que "os mesmos personagens" que,
segundo ele, tinham lhe dado uma "rasteira" na disputa eleitoral de
2022 estão novamente se unindo para impedir sua candidatura. E, com uma dose
generosa de autoestima política, disparou: "Eles tentam se unir para não
deixar eu ser candidato unicamente porque eu tenho condições de ganhar".
Pronto! Está explicado. O problema não é a
falta de articulação, de alianças ou de viabilidade eleitoral. É o medo dos
adversários diante de um candidato supostamente imbatível. Só faltou avisar aos
eleitores, que aparentemente ainda não receberam o comunicado sobre essa
invencibilidade toda.
A curiosidade é que Meneguelli não revela quem
seriam os misteriosos conspiradores. E o silêncio chama ainda mais atenção,
porque seu próprio partido, o PSD, aparece nos bastidores como integrante do
grupo político que tende a apoiar a candidatura do ex-prefeito de Vitória,
Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao Governo do Estado. O bloco também envolve o
Republicanos, legenda à qual Meneguelli foi filiado até março deste ano, e o
PL, cuja aproximação com o grupo de Pazolini é amplamente comentada no cenário
político capixaba.
Mas, se a política é feita de alianças,
Meneguelli parece preferir a teoria do complô. Afinal, é sempre mais
confortável acreditar que todos estão morrendo de medo de sua candidatura do que
admitir que, na política, nem sempre existe espaço para todos os projetos
pessoais. E talvez seja justamente aí que esteja a maior ironia dessa história.
Durante os quatro anos em que comandou a
Prefeitura de Colatina, Meneguelli construiu uma imagem política marcada por
uma administração que seus críticos classificam como muito mais preocupada com
ações de efeito visual do que com grandes investimentos estruturantes. Enquanto
isso, segundo denúncias e reclamações feitas na época, servidores enfrentaram
dificuldades até para conseguir materiais básicos de limpeza, e unidades de
saúde conviveram com falta de insumos e improvisações.
A gestão também foi alvo de críticas pela
ausência de grandes obras municipais. A prova disso é que todas as intervenções
realizadas no período dependeram de investimentos e ações do Governo do Estado,
e não propriamente de realizações da administração municipal. Em contrapartida,
ficaram na memória algumas iniciativas que até hoje rendem comentários, e
piadas entre os colatinenses.
Uma delas foi a tentativa de investir mais de
R$ 2 milhões na construção de fontes luminosas, projeto que acabou barrado pelo
Ministério Público em virtude de sua inutilidade. Outra foi o gasto superior a
meio milhão de reais com lonas pretas utilizadas para cobrir morros da cidade
contra chuvas. E, para completar o álbum de recordações, surgiu o famoso
monumento ao velocípede, instalado em uma praça e que, segundo a própria
cultura popular local, acabou ganhando o apelido jocoso de "Bicicletão do
Meneguelli".
É claro que toda gestão pública pode ser
avaliada sob diferentes perspectivas. Mas, diante desse histórico, talvez seja
compreensível que parte da população faça uma pergunta simples: se existe tanta
gente desesperada para impedir Meneguelli de chegar ao Senado porque ele seria
um candidato "com condições de ganhar", por que não deixar que o
eleitor decida? A democracia, afinal, tem dessas coisas. O eleitor vota. E é
justamente ele quem decide quem merece um mandato, seja para continuar na
Assembleia, seja para ocupar uma cadeira no Senado.
Enquanto isso, Meneguelli segue sua cruzada
contra os misteriosos "personagens" que, segundo ele, estariam
conspirando contra sua candidatura. O curioso é que, até agora, os
conspiradores permanecem sem nome, sem rosto e sem partido. Talvez estejam
escondidos atrás de alguma fonte luminosa. Ou, quem sabe, pedalando o
"Bicicletão". Porque, na política capixaba, parece que até o velho
velocípede voltou a ter mais protagonismo do que alguns parlamentares.
*Elvécio Andrade é radialista,
jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e
Administrativo.
Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook @sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal: @colatinanews4085




Nenhum comentário:
Postar um comentário