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30/07/2026

Vereadora e presidente da Câmara são denunciados ao MPES por desvio de combustível

Edivânia e Adilson Motos

 

O caso protocolado pelo secretário municipal de Meio Ambiente de Vila Valério, Iarly Meneguelli, contra a vereadora Edvânia Demoner e o presidente da Câmara, Adilson Rodrigues,, o Adilson Motos (PP), escancara uma ferida que a sociedade já não suporta mais ver sangrar: o uso promíscuo do dinheiro público em benefício privado.

 

Não se trata de um "descuido administrativo" ou de um "ato isolado". Trata-se, a princípio, de um desvio de quase 300 litros de gasolina, um volume expressivo, para abastecer um veículo que sequer pertence à parlamentar, mas sim a seu irmão. A tentativa de justificativa pós-fato, publicada em rede social pelo proprietário, de que o carro "auxiliava pessoas" ou era usado em "deslocamentos políticos", longe de atenuar a gravidade, a agrava.

 

Afinal, se o veículo era utilizado para fins parlamentares, por que não houve a formalização de um termo de cessão ou autorização prévia da Câmara? A ausência de documentos oficiais não é um mero detalhe burocrático; é a prova cabal da informalidade que rasteja por corredores onde deveria imperar a transparência.

 


Mais preocupante que o ato em si é a omissão que o permitiu. O presidente da Câmara, Adilson Rodrigues, segundo a representação, tinha ciência do ocorrido e nada fez. Se isso se confirmar, não estamos diante de um mero espectador, mas de um conivente. A função fiscalizadora do Legislativo não pode ser seletiva ou acomodada; ela é o antídoto contra o descontrole. Quando o gestor público se cala diante do erro, ele não apenas falha com o cargo, mas trai a confiança de cada cidadão que paga seus impostos.

 

O pedido de instauração de inquérito civil e a requisição de notas fiscais e relatórios são medidas mínimas e urgentes. Mas é preciso ir além. O Ministério Público não pode se limitar a apurar este episódio como se fosse uma exceção; ele deve tratá-lo como sintoma de um sistema que ainda tolera o "jeitinho" na gestão da coisa pública. A suspensão cautelar do uso de recursos para aquele veículo é imperativa, pois, enquanto a apuração corre, o erário não pode continuar sendo sangrado.

 

Que este caso sirva de alerta: a impunidade não pode ser o combustível que move a política. Se comprovadas as irregularidades, que a Ação Civil Pública e a Ação por Improbidade Administrativa sejam não apenas requeridas, mas rigorosamente aplicadas. Vila Valério e o Espírito Santo não merecem menos do que a certeza de que cada litro de gasolina pago com dinheiro público será, de fato, utilizado em prol da coletividade, e não para abastecer o carro de parentes.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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