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24/09/2026

Carlim da Dengue declara guerra às obras e ao progresso de Barra de São Francisco

Dessa boca não sai nada que presta

Por *Elvécio Andrade

 

Tem vereador que fiscaliza, tem vereador que cobra, tem vereador que apresenta projetos e tem vereador que parece ter descoberto uma modalidade nova de mandato: ser contra o progresso do Município e transformar o plenário em extensão das próprias contrariedades. Em Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, essa especialidade parece ter encontrado um representante bastante aplicado: Carlim da Dengue.

 

Eleito vereador em 2024 pelas beiradas, o parlamentar tem todo o direito de fiscalizar a administração municipal, questionar obras e discordar do prefeito. Isso faz parte da democracia e, diga-se de passagem, é obrigação de qualquer vereador. Mas existe uma diferença entre fiscalização e espetacularização. E essa diferença começa a ficar bastante interessante quando até uma obra destinada a ajudar a cidade a enfrentar as enchentes vira motivo para deboche.

 

Estamos falando do futuro dique no Rio Itaúnas. Sim, leitor: um dique para ajudar a prevenir os transtornos provocados pelas enchentes também entrou na mira do vereador parlapatão. Talvez seja necessário explicar que enchente não tem partido político, a água não pergunta se o morador votou em situação ou oposição, não pede título de eleitor r não consulta vereador. Ela simplesmente sobe. E quando sobe, invade casas, estabelecimentos e causa prejuízos.

 

Por isso, uma obra de prevenção deveria ser discutida com seriedade: engenharia, custo, segurança, impacto, benefícios, fiscalização e transparência. Se houver alguma irregularidade, que seja denunciada. Se o projeto for tecnicamente ruim, que se apresentem os estudos. Se o dinheiro estiver sendo mal empregado, que apareçam os documentos. Agora, fazer deboche da obra simplesmente porque ela foi apresentada por uma administração da qual o vereador parece discordar é outra coisa.

 

É transformar a fiscalização em birra institucionalizada. E aí fica difícil saber se estamos diante de um vereador exercendo seu mandato ou de alguém travando uma guerra particular contra tudo aquilo que o prefeito Enivaldo dos Anjos coloca em prática. Aliás, seria interessante o nobre edil apresentar uma pequena lista de alternativas. Não gostou da obra? Mostre outra. Acha o investimento errado? Apresente os números. É contra o dique? Explique tecnicamente como pretende enfrentar as enchentes.

 


Acha que existem prioridades maiores? Diga quais são e quanto custam. Porque falar “sou contra” é moleza. Difícil é sentar, estudar, calcular, planejar e apresentar uma solução melhor. E vereador não foi eleito para ser comentarista de obra pública, e muito menos para transformar reunião de Câmara em programa de humor. A crítica política é saudável. O deboche permanente, não.

 

E talvez Carlim precise compreender uma coisa muito simples: o mandato pertence ao eleitor, não ao ego do vereador. Se existe alguma insatisfação pessoal decorrente de uma reivindicação que não foi atendida, ela não pode se transformar em critério para avaliar tudo o que a administração faz. Se isso estiver acontecendo, e cabe ao próprio vereador demonstrar o contrário, a população tem todo o direito de perguntar onde termina o interesse público e onde começa a questão pessoal.

 

Porque Barra de São Francisco precisa de oposição responsável, não de uma espécie de central municipal do “não gostei”. A cidade precisa de vereador que fiscalize prefeito, mas também precisa de vereador que fiscalize a própria língua, os próprios argumentos e, principalmente, as próprias motivações. Criticar, destruir reputação e fazer piada é fácil. Difícil mesmo é contribuir para construir uma cidade melhor.

 

E, convenhamos, se até um dique destinado a ajudar a proteger Barra de São Francisco das enchentes virou motivo para chacota, talvez esteja na hora de alguém avisar ao nobre vereador: água pode até subir, mas o nível do debate político também deveria.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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