Por *Elvécio Andrade
Tem crítica política que nasce de uma
divergência de ideias, outras nascem de uma análise equivocada, e existem
aquelas que parecem ter sido feitas por alguém que simplesmente esqueceu de
olhar o mapa da própria cidade. Foi exatamente o que aconteceu com o vereador
Carlos Rubens, o Carlim da Dengue,
ao tentar transformar as obras do calçadão em mais um motivo para atacar a
administração municipal de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito
Santo.
Segundo o vereador, o novo calçadão vai
dificultar a circulação dos ônibus que sairão da nova Estação Rodoviária e
precisaram fazer a curva para acessar a Avenida Jones dos Santos Neves. O
problema é que existe um pequeno detalhe nessa história: a nova rodoviária não
estará onde está a antiga.
A nova Estação Rodoviária está sendo
construída na antiga Avenida Prefeito Manoel Vilá. Portanto, com a mudança, a
dinâmica do trânsito dos ônibus também muda. Os veículos que chegarem ou saírem
da nova rodoviária utilizarão a nova rota, e a Avenida Jones dos Santos Neves
não será mais o caminho obrigatório desses ônibus.
Ou seja: o vereador conseguiu
enxergar um congestionamento onde o próprio trajeto dos ônibus, na prática,
deixará de existir. É como reclamar que uma estrada ficará apertada para um
trem que acabou de mudar de linha. Pode até parecer uma grande preocupação, mas
basta olhar o mapa para perceber que alguma coisa não fecha.
E o mais curioso é que o atual
trajeto dos ônibus, que parte da antiga rodoviária, nunca impediu a implantação
do calçadão. Agora, justamente quando a cidade ganhará uma nova estrutura
rodoviária e uma nova dinâmica de circulação, aparece a previsão de um problema
baseado em uma rota que deixará de ser utilizada. Convenhamos: para fazer
oposição, é preciso ter cérebro, e pelo menos saber para onde o ônibus vai.
Criticar uma obra pública é legítimo.
Questionar projeto, trânsito, custos e planejamento também. Mas apresentar como
denúncia um problema que desaparece justamente com a mudança provocada pela
nova rodoviária é outra história. No mínimo, antes de gravar vídeo e publicar
nas redes sociais, seria recomendável consultar o projeto, observar o trajeto
e, quem sabe, perguntar para alguém: “por onde os ônibus vão passar depois que
a nova rodoviária estiver funcionando?”
Porque, nesse caso, parece que o
vereador não está apenas perdido na discussão. Está perdido no itinerário. E
quando até o ônibus sabe para onde vai, mas o crítico da obra não sabe, talvez
seja hora de conferir novamente o mapa. A cidade está mudando, a infraestrutura
e as rotas vão mudar. Só parece não ter mudado uma coisa: a disposição de
procurar problema onde ele não existe.
*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado
especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook
@sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal:
@colatinanews4085




Nenhum comentário:
Postar um comentário