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26/09/2026

Mais perdido que cego em tiroteio Carlim da Dengue não sabe nem onde os ônibus vão passar

Com a nova rodoviária ônibus mudarão de rota

Por *Elvécio Andrade

 

Tem crítica política que nasce de uma divergência de ideias, outras nascem de uma análise equivocada, e existem aquelas que parecem ter sido feitas por alguém que simplesmente esqueceu de olhar o mapa da própria cidade. Foi exatamente o que aconteceu com o vereador Carlos Rubens, o Carlim da Dengue, ao tentar transformar as obras do calçadão em mais um motivo para atacar a administração municipal de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo.

 

Segundo o vereador, o novo calçadão vai dificultar a circulação dos ônibus que sairão da nova Estação Rodoviária e precisaram fazer a curva para acessar a Avenida Jones dos Santos Neves. O problema é que existe um pequeno detalhe nessa história: a nova rodoviária não estará onde está a antiga.

 

A nova Estação Rodoviária está sendo construída na antiga Avenida Prefeito Manoel Vilá. Portanto, com a mudança, a dinâmica do trânsito dos ônibus também muda. Os veículos que chegarem ou saírem da nova rodoviária utilizarão a nova rota, e a Avenida Jones dos Santos Neves não será mais o caminho obrigatório desses ônibus.

 

Ou seja: o vereador conseguiu enxergar um congestionamento onde o próprio trajeto dos ônibus, na prática, deixará de existir. É como reclamar que uma estrada ficará apertada para um trem que acabou de mudar de linha. Pode até parecer uma grande preocupação, mas basta olhar o mapa para perceber que alguma coisa não fecha.

 


E o mais curioso é que o atual trajeto dos ônibus, que parte da antiga rodoviária, nunca impediu a implantação do calçadão. Agora, justamente quando a cidade ganhará uma nova estrutura rodoviária e uma nova dinâmica de circulação, aparece a previsão de um problema baseado em uma rota que deixará de ser utilizada. Convenhamos: para fazer oposição, é preciso ter cérebro, e pelo menos saber para onde o ônibus vai.

 

Criticar uma obra pública é legítimo. Questionar projeto, trânsito, custos e planejamento também. Mas apresentar como denúncia um problema que desaparece justamente com a mudança provocada pela nova rodoviária é outra história. No mínimo, antes de gravar vídeo e publicar nas redes sociais, seria recomendável consultar o projeto, observar o trajeto e, quem sabe, perguntar para alguém: “por onde os ônibus vão passar depois que a nova rodoviária estiver funcionando?”

 

Porque, nesse caso, parece que o vereador não está apenas perdido na discussão. Está perdido no itinerário. E quando até o ônibus sabe para onde vai, mas o crítico da obra não sabe, talvez seja hora de conferir novamente o mapa. A cidade está mudando, a infraestrutura e as rotas vão mudar. Só parece não ter mudado uma coisa: a disposição de procurar problema onde ele não existe.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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